Érika Frade, estilista da Patachou, mostra sua peça preferida na coleção Verão 2012/2013

Érika Frade, estilista da Patachou, mostra sua peça preferida na coleção Verão 2012/2013

Érika Frade, estilista da grife Patachou, conta um pouquinho de sua parceria com Pedro Sales, que há três temporadas é responsável pelo styling dos desfiles da marca.

Como é a sua relação com o stylist? O que você passa para o profissional para que ele desenvolva a edição do desfile?

Eu tenho uma relação muito próxima. Trabalho com o Pedro há três edições, e a gente encontrou uma afinidade estética muito grande, e eu acho que quando se encontra isso, o trabalho fica até mais fácil.

Nós fazemos um trabalho reverso: eu parto da coleção comercial; falo para ele qual é a minha inspiração e aí a gente vem pro conceito. Mostro no que estou trabalhando, quais são minhas apostas para cores, shapes e estampas.

Eu passo um espírito para ele. Falo “Eu quero uma mulher bem fresca, limpa, nada muito exagerado.” Mostro o que gostaria de tirar da coleção comercial para a conceitual. O stylist funciona como um conselheiro, é uma pessoa que está olhando a coleção de fora, analisando  a criação do estilista. Ele precisa conhecer a marca, saber qual o meu público-alvo e o tipo de mulher que a Patachou veste. No desfile, através de uma imagem a gente pretende criar um desejo pelas peças e o stylist trabalha no sentido de criar essa conceito, essa imagem.

 

Felipe Veloso, stylist

Felipe Veloso, stylist

Felipe Veloso, o versátil stylist carioca fala um pouco da sua visão da profissão

Quando se trata de desfiles, como você procura se relacionar com o estilista de uma marca?

Eu sempre brinco dizendo que o stylist é aquele amigo que vai te ajudar a se arrumar quando você tem um casamento, sabe?

Quando um estilista cria uma coleção, ele tem um conceito, uma ideia, e uma série de coordenações em mente, em relação às suas escolhas para a coleção. O stylist é o olhar externo. Ele vai reagrupar isso, respeitando o conceito dessa coleção, o seu sentido, a faixa etária que essa marca abrange e quer atingir. Você tem que ter uma compreensão da marca, pois não adianta você fazer um desfile que não atinja  o público-alvo da marca.

O desfile pode ter um compromisso com o lúdico, com formas mais conceituais, mas é importante que a coleção tenha uma realidade, que ela tenha a ver com as pessoas que consomem aquela roupa.

Na Oh, Boy!, em particular, a gente teve muita liberdade. A Dani (Schuwartz), que assinou a coleção comercial e a Thais (Losso), que assina o desfile, e eu trabalhamos em conjunto. Alguns dos tecidos que estão sendo utilizados aqui são os mesmos trabalhados na coleção comercial, o brinco em forma de leque também está presente na coleção que vai para as lojas, mas para o desfile nós fizemos ele maior, por exemplo.

A relação com o stylist é uma troca, é um cabo de guerra. Você puxa um pouquinho, empurra um pouquinho. Eu acho importante acompanhar o processo desde o começo, pois muitas coisas na moda dependem de um tempo de elaboração, como sapatos e acessórios. Se o stylist chegar em cima da hora, não tem muito como interferir. Trabalhando junto desde o princípio, a coleção fica mais amarrada. E o legal é que você vai criando as duas coleções juntas.

Fotos: © Annina Barbosa // © Ag. Fotosite



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