Patrícia Moura: Menos fast e mais fashion

Procurando resgatar o prazer de criar, que muitas vezes é atropelado pelo ritmo frenético do calendário da moda, a designer de biojoias Patrícia Moura tomou uma decisão estratégica, a partir de agora ela passa a criar uma coleção anual, ao invés das duas que produzia até hoje. Patrícia conta que a decisão é definitiva e que já havia experimentado o novo formato na coleção atual “Primitiva”, que ela vem alimentando mês a mês desde janeiro.

“Mais da metade de minha produção é destinada à exportação (USA, Canadá, França, Grécia, Alemanha, Japão, Australia, Turquia e muito provavelmente a partir do mês de agosto, as peças também viajarão para Italia e Holanda), assim, ao invés de produzir duas coleções por ano, o que já era uma loucura, estava produzindo o dobro. Uma coleção para o verão brasileiro e uma coleção simultânea para o inverno da Europa, Asia e América do Norte. Para estação seguinte, o inverso.”

Patrícia explica que as peças criadas para a mulher brasileira geralmente não tem uma boa aceitação em outros países e por isso toda a coleção precisa ser revista para a exportação, “Há uma necessidade real de adequação ao estilo de vida e biotipo da mulher de cada região do planeta, por exemplo, para o Japão, as peças precisam ter alguns centímetros a menos que o padrão, já para Alemanha e França as gargantilhas de açaí tem, no máximo, quatro voltas, enquanto aqui uso entre seis e oito. Sem essa adequação, as peças acabam encalhando e meu cliente lojista não volta”, além disso o foco na sustentabilidade tem provocado grandes mudanças no comportamento da artista o que acaba se refletindo em seu trabalho.

“Senti necessidade de parar, respirar profundamente sem o sentimento de estar atrasada, sou uma artista, criadora, amo criar as biojoias e não posso perder o prazer de criá-las porque o mundo tem urgência. Não quero mais o “a nova coleção será linda, não foi, meu bem? ” Quero contemplar o resultado do meu trabalho, que acho lindo de viver, como fazia no passado.”

Movida por esse desejo de contemplação Patrícia agora desenvolve coleções anuais com um número maior de peças e uma cartela de cores mais abrangente. A mudança possibilitou também a criação de uma nova linha, intitulada “Pedras”, um desejo antigo de Patrícia que traz, por enquanto em fase experimental, peças mais clássicas, pedras e acabamento folheado a ouro.

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