Fotos: Márcia Gama @ HiperFashion Estúdio Criativo
Imagens protegidas pela Lei do Direito Autoral Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Proibida a cópia ou reprodução sem prévia autorização.

Silenciosamente presentes no nosso cotidiano, as paredes contam histórias, nos abrigam e exprimem. Nelas vemos depositadas e eternizadas partes de nós.

Neste DBF, Iury Costa escolhe para sua coleção de inverno 2009 o tema Paredes. A reflexão se inicia através de uma auto-observação do criador. “Entre paredes, surge a idéias de que elas realmente tem vida, sonham, inspiram. Testemunhas de conflitos ou momentos bons, históricas ou não, também possuem sentimentos e escondem ou exploram grandes transformações. Permitem questionar o ser humano enquanto objeto dele mesmo, sua mania de auto-suficiência e descobertas. Das paredes do quarto às testemunhas oculares do dia-a-dia.

Na atividade diária de observar o ser humano, seu “eu” artista aponta a imprevisibilidade dos tempos como uma questão comum. O ser humano, de fato, só atualiza-se relendo o passado e, desde então, não sabe realmente o que fora ou o que será. Quando nos apegamos à métodos históricos, nos sentimos mais seguros e confiantes na hora de tomarmos novas decisões. Alguns até se fecham entre paredes ou as exploram. A vida é caos, serenidade, loucura e realidade ao mesmo tempo! Formas relidas, materiais atualizados, corpos mantidos, memórias guardadas. Será que nesta constante tentativa do novo, não passamos objetos de arte refletidos do passado com personalidades distintas mantidas para driblar os preconceitos impostos pelo mundo pós-moderno?

Para concretizar este trabalho Iury Costa aponta a escuridão entre essas paredes, onde tudo é pura sensação e sentimento. O momento intimista do processo criativo de se fechar entre paredes deu base à reflexão que resulta num estudo onde o estilista se percebe uma delas. Formas secas buscam o equilíbrio com nuances orgânicas tendo o preto como cor principal. A silhueta contrasta cortes e excessos de volumes. Ocidente e oriente entram nessa dança no escuro em que transparências subjetivam uma sensualidade composta. Malhas flertam com moletons e tecidos planos com base em seda e viscose. A estamparia digita exclusiva se baseia em registros imagéticos das paredes da memória, flertes, momentos, enfim.



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